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Os xiitas (العربية, de "Shiat Ali", "partido de Ali") são o segundo maior ramo de crentes do islão, constituindo 16% do total dos muçulmanos (o maior ramo é o dos muçulmanos sunitas, que são 84% da totalidade dos muçulmanos. Dados do Almanaque Abril 2007, p.285).

Os xiitas consideram Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como o seu sucessor e olham com indiferença os restantes três dos quatro califas que o sucederam.

Origem histórica do xiismo Editar

Depois da morte de Maomé, em 632, muitos acreditavam que ele havia escolhido como seu herdeiro e sucessor o seu genro e primo Ali ibn Abu Talib, logo após o falecimento a escolha do novo califa foi organizada, mas enquanto Ali e sua família aprontavam o enterro de Maomé, alguns sahaba, companheiros do Profeta, elegiam o novo governante da comunidade islâmica, sendo assim, Abu Bakr foi designando o novo Califa.

Antes de morrer Abu Bakr designou seu sucessor, Umar, que foi assassinado em 644, dez anos mais tarde. Após ele, Uthman, da dinastia omíada, ocupo o califado até 656, ano em que foi assassinado. Finalmente Ali assumiu o poder.

Os kharijitas têm origem na Batalha do Camelo, onde o governador do Sham, Muáwiya, junto com a viúva de Maomé, Aisha, uniram suas forças para tirar Ali do poder. Porém, quando viram que suas tropas seriam derrotadas, colocaram páginas do Corão nas pontas das lanças, sabendo que Ali não iria atacá-los dessa forma. Entretanto, um pequeno grupo não aceitou o recuo do exército do Califa, defendendo que deveriam batalhar mesmo assim. Dessa situação nascem os kharijitas, que quer dizer "os que saíram".

Com a morte de Ali, este foi sucedido por seu filho Hassan, porém, o novo Califa foi obrigado a renunciar em prol do corrupto Muáwiya, que subornara seus amigos, corrompera seu governo, tornando-se impossível sua governabilidade.

A divisão entre sunnitas e xiitas nasce da questão sucessória dessa época.

Dispersão geográfica Editar

Os muçulmanos xiitas estão espalhados por todas as partes do mundo, mas alguns países têm uma concentração particularmente forte: o Irão é quase totalmente xiita, e no Iraque, um país onde cerca de 95% da população é muçulmana, cerca de dois terços são xiitas. Eles eram oprimidos pelo partido Baath de Saddam Hussein composto sobretudo por sunitas.

Encontram-se também grandes populações de xiitas no Paquistão (20%), na província oriental da Arábia Saudita (15%), no Bahrain (70%), em Oman (75%), no Líbano (40%), no Azerbaijão (70%), no Iêmen (50%) na Síria, na Turquia. Entre as comunidades islâmicas que residem no Ocidente também é possível encontrar minorias xiitas.

Seitas dentro do xiismo Editar

O islão xiita contemporâneo pode ser subdividido em três ramos principais: os xiitas dos Doze Imãs, os ismaelitas e os zaiditas. Todos estes grupos estão de acordo em relação à legitimidade dos quatro primeiros Imãs. Porém, discordam em relação ao quinto: a maioria do xiitas acredita que o neto de Hussein, Muhammad al-Baquir era o imã legítimo, enquanto que outros seguem o irmão de al-Baquir, Zayd, sendo por isso conhecidos como zaiditas. O xiismo zaidita (ou dos partidários do quinto imã) foi sempre minoritário e encontra-se hoje praticamente limitado ao Iémen.

Os xiitas que não reconheceram Zayd como Imã permaneceram unidos durante algum tempo. O sexto imã, Jafar al-Sadiq, foi um grande erudito que é tido em consideração pelos teólogos sunitas. A principal escola xiita de lei religiosa recebe o nome de "Jafari" por sua causa.

Após a morte de Jafar al-Sadiq, em 765, ocorre uma cisão no grupo: uns reconheciam como imã o filho mais velho de al-Sadiq, Ismail (m. 765), enquanto que para outros o imã era o filho mais novo, Musa (m. 799). O último grupo continuou a seguir uma cadeia de imãs até ao décimo segundo, Muhammad al-Mahdi (falecido em 874). Ficaram conhecidos como os xiita dos Doze, enquanto que os primeiros como ismailitas; o termo xiita é geralmente usado hoje em dia como sinónimo dos xiitas dos Doze (ou duodecimâmicos), uma vez que são os xiitas maioritários.

Para os ismailitas, Ismail nomeou o seu filho Muhammad ibn Ismael como seu sucessor, tendo a linha sucessória dos imãs continuado com ele e com os seus descendentes. Os ismailitas tornaram-se poderosos no século X no Norte de África, onde fundam na Tunísia a dinastia dos fatímidas (909-1171) que em 969 conquista o Egipto (onde fundam a Universidade de Al-Azhar) e a Síria. O persa Muhammad al-Darazi declarou que o quarto califa fatímida, al-Hákim, era Deus, dando origem à religião drusa.

O ismailismo dividiu-se ainda em outros grupos, que orbitavam em torno de dois irmãos, Nizar (m. 1095) e al-Mustacli (m. 1101). Os governantes fatímidas apoiam al-Mustacli e os seguidores de Nizar foram obrigados a fugir, fixando-se nas montanhas da Síria e da Pérsia. Os partidários da causa nizari organizam-se num movimento conhecido como Fidáiyya ("a gente do sacrifício") ou ainda Ta´limiyya ("da doutrinação"), a que os seus inimigos (entre os quais se encontravam os Cruzados) deram o nome de Hashishiyya ("assassinos"), devido ao facto dos seus membros serem consumidores de haxixe. Os Hashishiyya ficaram conhecidos por uma série de assassinatos políticos. No século XIX, o rei da Pérsia deu o título de Aga Khan ao imã de uma das subseitas dos ismailitas nizaris, os Qasimshahitas. Actualmente, a maioria dos ismailitas encontra-se neste grupo.

No século XIX Siyyid Ali Muhammad provoca uma divisão no seio da comunidade xiita dos Dozes Imãs, ao proclamar-se como manifestação de Deus, tomando o nome de Báb, "Porta", porque acreditava ter contacto directo com o décimo segundo imã que tinha desaparecido em 874. Fuzilado em 1850, um dos seus discípulos, conhecido como Bahá'u'lláh, fundou a Fé Bahá'í, hoje em dia considerada uma religião independente do islão.

De acordo com os xiitas dos Dozes Imãs, os doze descendentes de Ali detêm um estatuto especial; eles são inferiores ao profeta, mas superiores ao comum dos mortais. Eles são vistos como sucessores directos corporais e espirituais do profeta, infalíveis, inspirados divinamente e escolhidos por Deus.

O Imam oculto Editar

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Mausoléu de Hussein, filho de Ali, em Karbala, Iraque.

Os xiitas dos Doze Imãs acreditam que Muhammad al-Mahdi encontra-se escondido e que regressará no fim do mundo. Este Imam oculto (escondido) é capaz de enviar mensagens aos fiéis. Alguns xiitas iranianos acreditavam que o falecido Aiatolá Khomeini (não confundir com Aiatolá Khamenei, o actual aiatolá supremo do Irã) teria recebido inspiração do 12º e último Imam.

Os crentes divergem quanto ao que irá acontecer ao último Imam quando regressar (apesar de algumas seitas reservarem esse título para Isa). Acredita-se normalmente que o último Imam será acompanhado pelo profeta Jesus e que irá revelar a mensagem do Islão à humanidade. No islão xiita é obrigação de cada muçulmano seguir um Marja vivo. Há vários Marjas xiitas vivos hoje, com: Aiatolá Khamenei, Aiatolá Ali al-Sistani, Aiatolá Fazil Linkarani, Aiatolá Sadiq Sherazi, Aiatolá Fadlullah etc.

O ritual da Ashurah Editar

A lembrança da Ashura é quando os muçulmanos xiitas lembram o martírio de Hussein, neto de Maomé em Karbala, onde tal massacre, que teve mulheres e crianças massacradas, foi perpetuado pelas mãos de Yiazid, o filho de Muawya, aquele que havia lutado contra Ali e usurpado o califado de Hassan.

No Iraque, em certas regiões, a Ashura tomou uma visão grotesca, com autoflagelações e situações antiislâmicas.

A autoflagelação é proibida dentro do Islam, e esta atitude é realizada por uma ínfima minoria dentro do xiismo, mas muitos acreditam que é um ponto comum entre todos os muçulmanos xiitas.

Grandes sábios desaprovam e se opõem vigorosamente contra a auto-flagelação, chamando de bidah (inovação).

No Irão por exemplo, Khamenei coloca tropas nas ruas para proibir tal barbaridade, no Líbano o Hezbollah não permite que seus membros realizem esse tipo de horror, assim como Fadlullah, Sistani, enfim, todos os sábios xiitas, não o ratificam.

Os 12 Imans dos islã xiita Editar

  1. Imam Ali ibn Abi Talib, "O Príncipe dos Crentes"
  2. Imam Al-Hassan Ibn Ali, "Al-Mujtaba"
  3. Imam Al-Hussein Ibn Ali, "Senhor dos Mártires"
  4. Imam Ali Ibn Al-Hussein, "Formosura dos Devotos"
  5. Imám Mohammad Ibn Ali, "O Erudito"
  6. Imam Jaafar Ibn Mohammad, "O Verídico"
  7. Imam Mussa Ibn Jaafar, "O Silencioso"
  8. Imam Ali Ibn Mussa, "A Aprovação"
  9. Imam Mohammad Ibn Ali, "O Generoso"
  10. Imam Ali Ibn Mohammad, "O Orientador"
  11. Imam Al-Hassan Ibn Ali, "Nascido em Ascar"
  12. Imam Mohammad Ibn Al-Hassan, "O Guia ou Al-Mahdi"

Ver também Editar

Ligações externasEditar


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