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* são deuterocanônicos

Salmos é um livro bíblico com 150 capítulos. Os textos presentes nele são poesias religiosas consideradas como orações ou louvores, quer no Judaísmo, quer no Cristianismo, e como tal continuam a ser usados actualmente.

A autoria da maioria dos salmos é atribuída ao rei David, o qual teria escrito pelo menos 73 poemas. Asafe é considerado o autor de 12 salmos. Os filhos de Corá escreveram uns nove e o rei Salomão ao menos dois. Hemã com os filhos de Corá, bem como Etã e Moisés, escreveram no mínimo um cada. Todavia, 51 salmos seriam tidos por autoria anônima.

O período em que os salmos foram compostos varia muito, representando um lapso temporal de aproximadamente um milênio, desde a data aproximada de 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico, sendo que muitas vezes esses poemas permitem traçar um paralelo com os acontecimentos históricos, principalmente com a vida de Davi, quando, por exemplo, havía fugido da perseguição promovida pelo rei Saul ou quanto ao arrependimento pelo seu pecado com Bate-Seba.

Os salmos são poemas de louvor, inicialmente transmitidos através da tradição oral e cuja fixação por escrito teve lugar sobretudo através do movimento de recolha das tradições israelitas, iniciado no exílio babilónico pelo profeta Ezequiel (séculos VII-VI a.C.). Como tal, muitos destes textos serão muito anteriores, sendo bastante difícil a sua crítica do ponto de vista literário estrito. Ainda assim, tendo em conta a comparação com a literatura poética coeva do Egipto, da Assíria e da Babilónia, pode-se afirmar estes poemas de Israel como um dos expoentes da poesia universal.

Tal como noutras tradições culturais, também a poesia hebraica andava estreitamente associada à música. Assim, embora não seja de excluir para os salmos a possível recitação em forma de leitura, "todavia, dado o seu género literário, com razão são designados em hebraico pelo termo Tehillim, quer dizer, «cânticos de louvor», e em grego psalmói, ou seja «cânticos acompanhados ao som do saltério». De facto todos os salmos possuem um certo carácter musical, que determina o modo como devem ser executados. E assim, mesmo quando o salmo é recitado sem canto, ou até individualmente ou em silêncio, a sua recitação terá de conservar este carácter musical." (Cf. Instrução Geral da Liturgia das Horas, n. 103) Esta associação dos salmos à música encontra-se bem expressa em muitos dos títulos, onde se encontram não só referências a melodias como «a corça da aurora» (e. g. Sl. 22(21)), «os lírios» (e. g. Sl. 60(59)) ou «a pomba dos terebintos longínquos» (e. g. Sl. 56(55)), mas também expressões relativas à própria execução musical, tais como "com voz de soprano" (e. g. Sl. 46(45)), «com instrumentos de corda» (e. g. Sl. 4) e «para voz grave» (e. g. Sl. 12(11)).

Os salmos acabaram por constituir um hinário litúrgico para uso no templo de Jerusalém, do qual transitaram quer para a sinagoga judaica, quer para as liturgias cristãs.

Na Igreja Católica, os 150 salmos formam o núcleo da oração quotidiana: a chamada Liturgia das Horas, também conhecida por Ofício Divino e cuja organização remonta a S. Bento de Núrsia. A oração conhecida por rosário, com as suas 150 Ave Marias, formou-se por analogia com os 150 salmos do Ofício.

Vários salmos são considerados pelos teólogos como proféticos ou messiânicos, pois referem-se à vinda do Cristo e, por isso, existem muitas citações de versos dos salmistas no Novo Testamento com o propósito de provar o cumprimento das profecias na pessoa de Jesus.


Variações entre as traduçõesEditar

A Bíblia católica e as protestantes possuem a mesma quantia de capítulos, mas apresentam diferenças em relação a numeração dos mesmos e de seus versículos.

Versículos

A bíblia católica costuma apresentar, na maioria dos salmos, um versículo de introdução, onde são atribuídas autorias e instrumentos que deveriam ser utilizados ao cantar tais textos. Essas informações estão ausentes nas bíblias protestantes.

Capítulos

  • As bíblicas protestantes consideram os salmos 9 e dez da católica como um texto único e contínuo;
  • A bíblia católica considera como salmo 146 os salmos 146 e 147 das protestantes;

Existem ainda outras variações, que podem ser observadas na seguinte tabela.

Bíblica Católica     Bíblias Protestantes
1 a 8   1 a 8
9 e 10   9
11 a 113   10 a 112
114 e 115   113
116   114 e 115
117 a 146   116 a 145
147   146 e 147
148 a 150   148 a 150


DIVISÃO DOS SALMOS

O livro dos Salmos é dividio em 5 livros que seguem abaixo:



Livros I = Salmos 1-41 Livros II = Salmos 42-72 Livros III = Salmos 73-89 Livros IV = Salmos 90-106 Livro V = Salmos 107-150



Salmos ProféticosEditar

Alguns salmos são considerados proféticos ou messiânicos pela Teologia cristã, pois apontam para a vinda do Messias, sendo com freqüência citados no Novo Testamento da Bíblia com o objetivo de identificar Jesus Cristo como o cumpridor da promessa.

No Salmo 2, que fala do reinado do Ungido de Deus, verifica-se algumas citações no livro de Atos e na Epístola aos Hebreus.

Já o Salmo 8 que fala da glória divina e da dignidade do filho do homem é citado no Evangelho de Mateus, bem como em algumas epístolas de Paulo.

Por sua vez, o Salmo 16 é uma referência à ressurreição de Cristo em seu verso 10, quando David assim profetiza:

"Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção."

Por sua vez, o Salmo 22 fala do sofrimento e da vitória do Messias que entende-se ter se cumprido na crucificação de Jesus, principalmente devido aos versos 7 e 18 que, respectivamente, coincidem com a zombaria experimentada durante o martírio e a repartição das vestes pelos soldados.

Todos esses salmos foram proferidos pelo rei Davi que teria governado Israel um milênio antes do ministério de Jesus.

Importante destacar que tais salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser observado pelo leitor ao consultar a Bíblia católica cujo conteúdo é o mesmo.

Os Salmos e a história de DaviEditar

Vários salmos relacionam-se com os acontecimentos que marcaram a vida do rei David.

O Salmo 59 tem a ver com a ocasião em que Saul teria enviado homens à casa de Davi para prendê-lo. Já os salmos 34 e 56 referem-se à sua fuga de Saul. Por sua vez, o salmo 142 foi composto quando Davi encontrava-se escondido na caverna de Adulão, na região do mar Morto.

Ao terminar a perseguição de Saul, Davi compõe o Salmo 18, ressaltando a fidelidade de Deus.

Quando é confrontado pelo profeta Natã sobre o seu adultério com Bate-Seba e a morte de Urias, Davi compõe o Salmo 51, demonstrando o seu verdadeiro arrependimento.

Novamente ao ser perseguido, agora por seu filho Absalão, Davi ainda escreve os salmos 3 e 7, o que revela sua confiança no livramento de Deus.

Além destes citados acima, outros salmos que se relacionam com passagens da vida de Davi seriam o 52 (depois que Doengue assassinou os 85 sacerdotes e saus famílias), o 54 (quando os zifeus tentaram traí-lo), o 57 (enquanto se encondia em uma caverna) e o 63 (enquando escondia-se no deserto de En-Gedi).

Importante alertar novamente que tais salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser observado pelo leitor ao consultar a Bíblia católica cujo conteúdo permanece o mesmo.

O tratamento musical dos Salmos na liturgia cristãEditar

A história do canto do salmo na liturgia cristã corre paralela à história da liturgia, da música e das Igrejas cristãs. Após o desenvolvimento do salmo responsorial no século IV, a função do salmista acaba por se transformar num ministério próprio, mais tarde incluído até no clero local. No entanto, este ministério acaba por cair em desuso com a especialização crescente dos cantores e com a instituição das scholae, ao mesmo tempo que a participação do povo se reduz. Na missa, o salmo vê-se limitado a um único versículo, nas versões extraordinariamente elaboradas do gradual gregoriano, assim chamado por ser cantado dos degraus do altar. No Ofício Divino, o canto dos salmos recebe também o desvelo de gerações de compositores, que expressamente compõem algumas das obras-primas da música ocidental, em particular para o solene canto de Vésperas (p.ex. Vespro della Beata Vergine Maria, de 1610, de Claudio Monteverdi, ou as Vesperae Solennes de Confessore, KV 339, de Wolfgang Amadeus Mozart), mas onde muitas vezes, na prática, a oração cede lugar ao concerto.

Na Igreja Católica, o motu proprio Tra le Solecitudine de 1903, do Papa Pio X, exclui da liturgia os salmos "de concerto". Após o Concílio Vaticano II, é restaurado o salmo responsorial na missa, através da Instrução Geral do Missal Romano de 1969.

Ver tambémEditar

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