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O Monotelatismo é uma doutrina que nasceu na Calcedônia no século V.

HistóriaEditar

Calcedônia provocara o cisma monofisita do Oriente e a tendência monofisista do Segundo Concílio de Constantinopla não revogara a definição calcedoniana. Entrementes, a ameaça que os persas e os árabes representavam para o império do Oriente tornara o cisma um perigo político. Ciro, patriarca de Alexandria, encorajado pelo Imperador Heráclio, sugeriu ao Papa Honório que os cismáticos poderiam ser reconciliados por uma fórmula (proposta por Sérgio de Constantinopla) que admitiu as duas naturezas mas uma só "operação ou vontade divino-humana" (enérgei e thélêma). Honório, que parece ter considerado a terminologia como coisa indiferente, sobre a base de que a impecável vontade humana de Cristo não podia estar em conflito com sua vontade divina e que as duas vontades, agindo em uníssono, não podem se distinguir de uma só vontade, concordou com essa fórmula "monotelita", a qual foi publicada por Heráclio na Echtesis, em 638. Mas os sucessores de Honório viram aí uma ponta de lança monofisita e, em 649, Martinho condenou a Echtesis. Seguiu-se um cisma que durou até 681, quando a conquista árabe do Egito e da Síria terminou com toda a motivação para se buscar uma reconciliação com os monofisitas às custas do Ocidente. O imperador depôs o patriarca, pediu orientação ao Papa Ágato e um concílio - contado como sendo o sexto ecumênico - se reuniu no Trullus (recinto abobadado) do palácio. Os monotelitas - inclusive Honório - foram condenados e o cisma terminou. Depois da repetição da doutrina calcedonense sobre a pessoa de Cristo, a definição se expressa assim:

"Pregamos também duas vontades naturais nele, bem como duas operações naturais (enérgeiai), sem divisão, sem mudança, sem separação, sem partilha, sem confusão. Isto pregamos de acordo com a doutrina dos santos padres. Duas vontades naturais, não contrárias (que Deus o afaste), como afirmam os ímpios hereges, mas sua vontade humana seguindo a vontade divina e onipotente, não lhe resistindo, nem se lhe opondo, mas antes sujeita a ela. Pois a vontade da carne tinha de ser dirigida e estar sujeita à vontade divina, segundo o sapientíssimo Atanásio. Porque assim como se diz que sua carne deve ser e é a carne de Deus Verbo, assim se diz que a vontade natural da carne pertence a Deus Verbo, como de fato pertence; ele mesmo o diz: "Desci do céu não para fazer minha própria vontade, mas a vontade do Pai que me enviou" (Jo 6.38), designando como "própria" a vontade da carne, visto que a carne se tornou sua própria carne.
Portanto, assim como sua santíssima e imaculada carne, vivificada pela alma, não foi destruída ao ser deificada, mas continuou no seu próprio estado e esfera, assim também sua vontade humana não foi destruída ao ser deificada, mas antes foi preservada, como diz Gregório, o teólogo: "Pois o querer que entendemos ser um ato da vontade do Salvador não é contrário a Deus, mas inteiramente deificado".
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