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As Igrejas Batistas formam uma família denominacional protestante de origem Anglo-Americana. Está presente em quase todos os países do globo. Estima-se que tenha mais de 70 milhões de membros espalhados pelo mundo, sendo mais de 45 milhões nos Estados Unidos e Canadá, e cerca de 2 milhões no Brasil. Há também grupos consideráveis na Europa Oriental, Federação Russa, Reino Unido e Austrália.

OrigemEditar

A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é a sua incepção como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. A primeira igreja batista nasceu quando grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.

John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor após uma aproximação com os menonitase e examinando a Bíblia creu na necessidade de batizar-se com consciência e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira igreja batista organizada. Até então, o batismo não era por imersão, só os batistas particulares por volta de 1642 adotaram oficialmente essa prática tornando-se comum depois a todos os batistas. A primeira confisão dos particulares, a Confisão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo.

Depois da morte de John Smyth e da decisão de Thomas Helwys e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada na Holanda desfez-se e parte dos seus membros uniram-se aos Mennonitas. Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.

A perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, fez com que muitos emigrassem. O mais famoso foi John Bunyan, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso.

Nos Estados Unidos a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island em 1648. Em terras americanas os batistas cresceram principalmente no Sul, onde hoje sua principal denominação, a Convenção Batista do Sul, conta com quase 15 milhões de membros.

Existem ainda outras teorias sobre a origem dos Batistas, mas que são rejeitadas pela historiografia oficial. São elas a teoria de Sucessão Apostólica, ou JJJ (João - Jordão - Jerusalém) e a teoria Anabaptista. Ambas são rejeitadas pelos historiadores batistas Henry C. Vedder e Robert G. Torbet.

A teoria de sucessão apostólica postula que os batistas atuais descendem de João Batista e que a igreja continuou através de uma sucessão de igrejas (ou grupos) que batizavam apenas adultos, como os montanistas, novacianos, donatistas, paulícianos, bogomilos, albigenses e cátaros, valdenses e anabatistas. Os Batistas Landmarkistas utilizam este ponto de vista para se auto-proclamar única igreja verdadeira.

Essa teoria apresenta alguns problemas, como o fato que grupos como bogomilos e cátaros seguiam doutrinas gnósticas e o gnosticismo é contrário às doutrinas batistas de hoje. Também, alguns desses grupos que sobrevivem até o presente, igrejas como a dos valdenses (que desde a Reforma é uma denomição Calvinista) ou dos paulicianos, não se identificam com os batistas.

A teoria anabatista é aquela que afirma que os batistas descendem dos anabatistas, que pregaram sua mensagem no período da Reforma Protestante. O evento mais citado para apoiar essa teoria foi o contato que John Smyth e Thomas Helwys com os menonitas na Holanda. Todavia, além de em 1624 as cinco igrejas batistas existentes em Londres terem publicado um anátema contra as doutrinas anabatistas, também os Anabatistas modernos rejeitam ser denominados Batistas e há pouca relação entre os dois grupos.

Ambos grupos possuem algumas similiaridades:

Existem algumas diferenças entre os Batistas e os Anabatistas modernos (por exemplo os Mennonitas):

  • Os Anabatistas normalmente praticam o Batismo adulto por infusão e não por imersão como os Batistas;
  • Os Anabatistas são pacifistas extremos e recusam a jurar;
  • Os Anabatistas crêem em uma doutrina semi-nestoriana sobre a Natureza de Cristo, que não recebeu nenhuma parte humana de Maria;
  • Os Anabatistas enfatizam a vida comunal enquanto os Batistas a Liberdade Individual;
  • Os Anabatistas recusam a participar do Estado, enquanto os Batistas podem ser funcionários públicos, prestar serviço militar, possuir cargos políticos;
  • Os Anabatistas creêm em um estado de sono da alma entre a morte e a ressureição;

Expansão MundialEditar

Em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Carey criou a Sociedade de Missões no Estrangeiro, para dar suporte no envio de missionários, sendo a Índia o primeiro campo missionário.

As Igrejas Congregacionais Americanas enviaram Adoniram e Ana Judson em 1812, para evangelizar a Índia, com destino a Calcutá. O casal encontrou-se com o missionário Batista William Carey e seu grupo de pastores, e aceitou a doutrina de imersão dos Batistas e foram batizados pelo Pastor William Ward. Outro missionário Congregacional, também enviado a Índia, Luther Rice tornou-se Batista. Os Judsons permaneceram na Birmânia, atual Myanmar, e Luther Rice voltou aos Estados Unidos para mobilizar os Batistas para a obra missionária. Consequentemente em maio de 1814, foi fundada uma Convenção em Filadélfia com o nome de "Convenção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro". Desde então missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa.

Batistas no BrasilEditar

Em 1860 Thomas Jefferson Bowen, missionário enviado ao Brasil pela Junta de Richmond, associação de igrejas batistas do Sul dos Estados Unidos, aportou na cidade do Rio de Janeiro. Bowen havia sido missionário na África e pregava para os escravos, já que conhecia a língua iorubá. Porém foi impedido pelas autoridades de propagar as doutrinas batistas no Brasil e Bowen acabou ficando no Brasil por apenas nove meses.

A Guerra Civil Americana (1859-1865), entre os estados do Norte e do Sul dos EUA, fez com que milhares de imigrantes sulistas americanos viessem para o Brasil, e se estabelecessem principalmente em Santa Bárbara D'Oeste, Piracicaba e Americana, no interior paulista.

Em 1871 o primeiro grupo Batista se estabeleceram em Santa Barbara estado de São Paulo, fundaram em 10/09/1871 a Igreja Batista em Santa Bárbara, a primeira Igreja Batista estabelecida em solo brasileiro (Pr. Richard Ratcliff; foram também fundadores da Primeira Igreja, entre eles estava o Pr. Robert Porter Thomas. O Pr. Thomas foi interino por diversas oportunidades tanto na Primeira Igreja quanto na Igreja da Estação (2ª.), fundada em 02/11/1879 (Pr. Elias Hoton Quillin). O pastorado interino do Pr. Thomas nas duas Igrejas somou cerca de 25 anos, As duas igrejas organizadas em Sta. Bárbara, S. Paulo, em 1871 e 1879, respectivamente, contribuíram com cinco de seus membros para a organização da Primeira Igreja Batista na Bahia, Salvador em 1882, ou seja, a terceira igreja batista em solo brasileiro: William Buck Bagby, esposa Anna Luther Bagby, Zachary Clay Taylor, esposa Kate Stevens Crawford e Antonio Teixeira de Albuquerque.

Salomão L. Ginsburg foi a primeira pessoa a pensar na organização de uma Convenção nacional dos batistas brasileiros. Mas, somente em 1907, a idéia foi concretizada. A.B. Deter, Zacharias Taylor e Salomão Ginsburg concordaram em dar prosseguimento ao plano. Eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros. A comissão organizadora optou pela data de 22 de junho de 1907 para organizar a Convenção, na cidade de Salvador, quando transcorreriam os primeiros 25 anos do início do trabalho batista brasileiro, também começado na referida cidade. No dia aprazado, no prédio do ALJUBE, onde funcionava a Primeira Igreja Batista de Salvador, em sessão solene, foi realizada a primeira Assembléia da Convenção Batista Brasileira, composta de 43 mensageiros enviados por igrejas e organizações. Criada a Convenção, foi eleita sua primeira diretoria: Presidente – Francisco Fulgêncio Soren; 1º vice-presidente – Joaquim Fernandes Lessa; 2º vice-presidente – João Borges da Rocha; 1º secretário – Teodoro Rodrigues Teixeira; 2º secretário – Manuel I. Sampaio; Tesoureiro – Zacharias Taylor. Já nesta convenção foi tratado o assunto do trabalho missionário, discutindo-se o envio de missionário para Portugal, Chile e África. A Unidade foi rompida na década de 50, com surgimento de grupos batistas de aspectos pentecostais e de grupos conservadores.

Em 2006, segundo o IBGE a Convenção Batista Brasileira possuia 6.000 igrejas organizadas, 1.200 congregações ou missões espalhadas em todo o território nacional e mais de 1.100.000 membros, a mesma também possui vários colégios, seminários, orfanatos, faculdades, hospitais, centros de recuperação para drogados todos mantidos em convênios com as convenções estaduais e igrejas locais.

Na área da Educação Teológico-ministerial, quatro são os seminários oficiais Batistas: o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (Recife, PE), o primeiro a ser organizado (é o mais antigo seminário teológico batista da América Latina); o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, (Rio de Janeiro, RJ), o Seminário Téológico Batista Equatorial (Belém, PA) e a Faculdade Teológica Batista do Estado de São Paulo (São Paulo, SP), Teológica, como é chamado, que fez 50 anos recentemente. Todos oferecem cursos de graduação (Bacharelado) e pós-graduação (Mestrado). Os dois primeiros e a Teológica oferecem Doutorado em Teologia.

A Convenção Batista Nacional nasceu em 1958, quando foi aceito o batismo pentecostal por alguns batistas em Belo Horizonte. Em 1967, o Pr. Enéas Tognini organizou a CBN (Convenção Batista Nacional), reunindo 60 igrejas. Grande parte destas igrejas denominam-se "Batistas Renovados". Hoje, a CBN, segundo o IBGE, conta com 1.500 igrejas organizadas, 1208 congregações ou missões, e 390.000 membros espalhados pelo Brasil (dados de 2006).

As maiores Convenções do país, a CBB e a CBN são filiadas à Aliança Batista Mundial.

As Igrejas Batistas Independentes no Brasil têm a sua origem no trabalho da Missão de Örebro, um movimento Pentecostal-Batista na Suécia. O missionário Erik Jansson veio en 1912 para atender colonos suecos residentes no município de Guarani, Rio Grande do Sul, mais tarde espalhou-se por outros estados. Conta com pelo menos 70 mil membros filiados à CIBI (Convenção das Igrejas Batistas Independentes), com grande presença nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

A partir da década de 1930 surgiram grupos de cunho mais conservador e fundamentalista, como a Igreja Batista Conservadora fundada em Bagé - RS, a Igreja Batista Bíblica que organizou a Comunhão Batista Bíblica Nacional (CBBN) desde 1973, com cerca de uma centena de Igrejas e Congregações, a Igreja Batista Fundamentalista e a Igreja Batista Regular. Existem também dezenas de Igrejas Batistas sem filiação, tais como a Igreja Batista da Floresta (MG), Filadélfia (RJ) Calvário em Niterói (RJ), todas de orientação pentecostal.

Existem Igrejas batistas que se proclamam também calvinistas, e são filiadas às diversas convenções ou simplesmente, independentes. No Brasil, há uma comunhão cujo objetivo é estreitar laços de comunhão entre os seus membros, em geral filiados à igrejas batistas reformadas: trata-se da Comunhão Reformada Batista no Brasil.

Os batistas regulares são pouco numerosos, correspondendo-se aos de sua denominação norte-americana e canadense.

Existe ainda a Igreja Batista do Sétimo Dia, cuja diferença em relação aos outros batistas está na guarda do sábado.

Baptistas em PortugalEditar

Em Portugal os Baptistas estão presentes desde o século XIX, quando missionários e expatriados britânicos fundaram a igreja no país.

Estão agrupados na Associação das Igrejas Baptistas Portuguesas (19 igrejas); Convenção Baptista Portuguesa (90 igrejas); Igrejas Baptistas do Carreiro (13 igrejas); Igrejas Baptistas Independentes (grupo pentecostal-baptista de origem do Brasil, 7 igrejas) e outras congregações independentes.

Batistas em outros países de fala PortuguesaEditar

(Dados de 2004)

DoutrinaEditar

Doutrinariamente, os Batistas possuem algumas particularidades:

  • Crença no Batismo Adulto por imersão - assim como os Anabaptistas eles creêm que o batismo seja uma ordenança para as pessoas adultas (ordenança, para os batistas, é diferente de sacramento: deve ser obedecida, mas é apenas ato simbólico e não obrigatório para salvação), que deve ser respeitada a menos que o indíviduo não tenha oportunidade de ser batizado. A diferença em relação aos Anabaptistas, é que os Batistas praticam o batismo por imersão.
  • Celebração das ordenanças do batismo e também da ceia memorial (não-sacramental), repetindo o gesto de Cristo e os apóstolos ("fazei isso em memória de mim") partilhando-se o pão e o vinho entre todos os membros da Congregação.
  • Separação entre Igreja e Estado - antes mesmo do Iluminismo, já havia a consciência da separação entre Igreja e Estado entre os batistas.
  • Liberdade de Consciência do Indivíduo - o crente deve escolher por sua própria consciência a servir a Deus, e não por pressão estatal ou de Igreja Estabelecida.
  • Autonomia das Igrejas locais - como os Batistas originaram do Congregacionalismo, enfatizam a autonomia total das comunidades locais, que podem agrupar-se em convenções. A exceção são os Batistas Reformados, que originaram do calvinismoPresbiterianismo e dos Batistas Episcopais, que surgiram de missões anglicanas no Zaire.

Organizacionalmente, a maior parta das igrejas Batistas operam no sistema de governo Congregacional, isto é, cada igreja Batista local possui autonomia administrativa, regida sob o regime de assembléias de caráter democrático. Entretanto a grande maioria das igrejas Batistas são associadas à convenções, que são na verdade associações de igrejas Batistas que procuram auxiliar umas as outras em diversos aspectos, como jurídico, financeiro, na formação de novas igrejas. Essas associações não possuem qualquer poder interventor nas igrejas, pois uma das características da maioria dos Batistas é a autonomia de cada igreja local.

Os Batistas tradicionalmente evitaram o sistema hierárquico episcopalista como é encontrado na Igreja Católica Romana, Anglicana e entre outras igrejas, como entre os metodistas. Todavia existe variações entre alguns grupos batistas, como a Igreja Episcopal Batista (de governo obviamente episcopal), presente em vários países da África e a Igreja Batista Reformada, de governo presbiterial.

Pastores Conhecidos Editar

  • Billy Graham
  • Martin Luther King
  • C. H. Spurgeon
  • John Bunyan
  • Enéas Tognini
  • Nilson Fanini (ex-presidente da Aliança Batista Mundial e ex-presidente da CBB- Convenção Batista Brasileira)
  • Oliveira de Araújo (presidente da Convenção Batista Brasileira (2007))
  • Ivo Seitz
  • Pedro Chagas
  • Márcio Frazão
  • Fausto Aguiar de Vasconcellos - por diversas vezes foi Presidente da Convenção Batista Brasileira
  • Alcinei Fernandes (primeiro pastor da Convenção Batista Brasileira a ingressar na Marinha do Brasil como capelão em 2002)
  • Valdo Romão - Diretor Executivo da Convenção Batista do Estado de São Paulo
  • Lourenço Stelio Rega - teólogo batista, diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo
  • Sócrates Oliveira de Souza - Diretor Executivo da Convenção Batista Brasileira
  • Dr. Gideão O. Bezarra Muniz - atual presidente da Convenção Batista Conservadora com sede em Bagé - RS
  • Israel Belo de Azevedo - historiador batista - reitor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil
  • Ademir Fernandes

Ver também Editar

Ligações externas Editar


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