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A fixação temporal dos fatos mencionados no texto bíblico apresenta alguns problemas, porque a Cronologia Bíblica se baseia em Datações Relativas. Embora alguns pontos não haver consenso ou por se ter divergências de entendimento, podemos ainda assim construir um quadro histórico seguro - de acordo com os documentos históricos disponível. Para isso os historiadores, tem de recorrer a fontes extra-bíblicas para fazer Datações Absolutas. São estas que nos permitem datar, por exemplo, em que ano ocorreu a Batalha de Carquemish, quando Salomão ascendeu ao trono, a conquista de Babilónia por Ciro II, a destruição do Templo de Jerusalém, ou mesmo, o Êxodo do Egito.

"A tarefa do historiador moderno é confrontar esses dados da Bíblia com os fatos da História Geral." - citação de "Introdução ao Pentateuco" da Bíblia de Jerusalém, Ed. Paulus, pág. 27. Grande parte do Antigo Testamento foi escrito em forma de História por profetas historiadores. Era intenção evidente do seus autores - historiadores religiosos - de escrever História propriamente dita.

Os historiadores tiveram de achar uma data-chave, e a partir dela, já é possível datar e ordenar temporalmente a sucessão dos eventos relatados na Bíblia e procurar sincronizá-los com as cronologias dos povos contemporâneos (egípcios, assírios, babilónicos, persas, gregos, selêucidas, romanos). Uma data-chave é determinada com a ajuda dos registos astronómicos, bem como dos métodos de datação por rádiocarbono.

Diferentes conceitos na datação Editar

Apesar de se trabalhar com o texto bíblico e de considerar como as diversas traduções bíblicas vertem o texto, o historiador / investigador precisa estudar e basear suas conclusões em documentos históricos credíveis. Têm o dever de ser o mais isento e o mais objetivo que lhe for possível. Havendo divergências no entendimento, deverá indicar quais os argumentos contrários. Algumas datas devem ser consideradas como meras indicações até que aja mais sólidas evidências.

Números ordinais e cardinais Editar

Há uma diferença entre números cardinais e números ordinais. Isto deve ser tomado em conta quando calculamos períodos bíblicos em harmonia com métodos de datação modernos. Por exemplo, o livro bíblico de Jeremias 52:31 fala de "o 37.º ano do exílio de Jeoaquim". O termo 37.º ano é um número ordinal. Representa 36 anos completos mais alguns dias, semanas, ou meses. Estamos lidando com um calendário lunar. Cada ano lunar tem 360 dias, cada mês tem 30 dias. Existe também alguns casos em que os anos dos reinados são arredondados.

Ano de reinado e ano de ascensão Editar

A contagem da duração dos reinados deverá ter em consideração, se o escritor usa o sistema de "ano de Ascensão" ou de "não-Ascensão". Por vezes, isso não fica bem claro no texto bíblico. Além disso, parece existir em determinado momento histórico uma contagem dupla. Portanto, tenha isto sempre em atenção quando se diz: Fulano "se tornou rei".

Por exemplo, o príncipe herdeiro Nabucodonosor se tornou rei no ano de 605 AEC, com a morte de seu pai, o Rei Nabopolassar. Se o cronista aplicar o sistema de "ano de não-Ascensão", o seu primeiro de reinado é contado desde 605/604 AEC. Se o cronista aplicar o sistema "ano de Ascensão", o seu primeiro de reinado seria entre os anos de 604/603 AEC.

Em II Reis 25:8 e Jeremias 52:12, menciona-nos que Jerusalém foi destruída no 19.º ano de Nabucodonosor II, sob o ponto de vista de Judá (ano de não-Ascensão). Já em Jeremias 52:28-30 diz que foi no seu 18.º ano, sob o ponto de vista de Babilónia (ano de Ascensão). Em 2 Reis 24:12, a deportação de Joaquim, Rei de Judá, ocorreu no 8.º ano de reinado de Nabucodonosor II (não-Ascensão), sob o ponto de vista de Judá. Em Jeremias 52:28-30, a deportação do Rei Joaquim ocorreu no 7.º ano de reinado (ano Ascensão), de Nabucodonosor II, sob o ponto de vista de Babilónia (ano Ascensão).

Anos de co-regências Editar

Deve ter em atenção que existe casos citados na Bíblia de co-regências. Cita-se os seguintes exemplos:

  • Jotão, filho de Azarias (Uzias), que governou durante o Reino de Judá, após seu pai ser se tornado leproso. (II Reis 15:5)
  • Atália, filha do Rei Acabe e de Jezabel, que governou por 6 anos o Reino de Judá, após a execução de Acazias, seu filho. Findou quando Jeoás, legítimo herdeiro ao trono de Judá, com 7 anos se tornou Rei.
  • Belsazar, filho de Nabonido, foi em Rei de Babilónia. Era o segundo governante do Império Babilónico. (Daniel 5:1, 29)
  • Dario, o Medo, com Ciro II, após a conquista de Babilónia. (Daniel 9:1)

Era Cristã e antes da Era Cristã Editar

Sobre o uso das siglas a.C. / AEC e d.C. / EC, veja a explicação dada no artigo Era Cristã ou Era Comum. Veja ainda Anno Domini, "Ano do Senhor".

Duração dos Reinados Editar

Sobre este ponto, temos alguns exemplos de que a duração de alguns reinados mencionados na Bíblia nem sempre são anos completos. Outro fator, a considerar é que o nosso Calendário gregoriano é solar, e o Calendário judaico é lunar. Note os seguintes exemplos:

David reinou primeiramente sobre Judá a partir de Herbon, por 7 anos e 6 meses. Após isso, se tornou rei sobre as 12 tribos de Israel, reinando a partir de Jerusalém, por 33 anos. Sabemos que duração total do seu reinado foi de 40 anos. Zacarias, filho de Jeroboão II, Rei de Israel Setentrional, reinou por 6 meses. Joaquim, filho de Jeoaquim, apenas reinou 3 meses e 10 dias.

Datação e sincronismos Editar

O período histórico descrito nos livros bíblicos dos I e II Reis, I e II Crónicas (também chamados de Paralipómenos), Esdras e Neemias, é narrado pelos seus autores à maneira de crónicas históricas. As Crónicas dos Reis, frequentemente citadas e transcritas ao pé da letra, foram redigidas pelos cronistas (em hebr. mazkirim) do reino. A exatidão histórica dos relatos bíblicos é assim determinada por intermédio da ajuda dos documentos contemporâneos dos povos vizinhos.

A Cronologia do Egito foi estabelecida baseada num conjunto de evidências diferentes. Na evidência detalhada da Cronologia Neo-babilónica, é suficiente a notar que esta evidência consiste em muitas estelas de túmulos, dos testemunhos de Heródoto e de Maneto, e de vários papiros, incluindo alguns detalhes astronómicos (como o Papiro Demótico, Berlim 13588). A Cronologia Egípcia está solidamente fundamentada, e até mesmo mais, é completamente independente da Cronologia Neo-babilónica. Na realidade, ambas cronologias se complementam.

Veja também Editar

Ligações Externas Editar

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