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Criação do sol e da lua por Deus-Pai, Miguelângelo, Capela Sistina, Vaticano

Os argumentos favoráveis à existência de Deus são aqueles apresentados pela filosofia, ao longo dos séculos, como provas racionais da existência de um Criador.

Definição Editar

Deus é o Ser Supremo, um espírito dotado de entendimento e de vontade, infinitamente perfeito que existe por si mesmo - porque de ninguém recebeu a existência, ninguém O fez - e de quem todos os outros seres recebem a existência. É o único Ser necessário que existe desde toda a eternidade, sempre existiu e sempre existirá. Deus é Aquele que é.

As cinco viasEditar

Santo Tomás de Aquino ensina que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas e que, fazendo apenas o uso da luz natural da razão a partir das coisas criadas, é possível demonstrar a Sua existência, para isto propõe cinco vias de demonstração:

1a. via - Primeiro Motor Imóvel Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido, e um tal ser todos entendem: é Deus.

2a. via - Causa Primeira ou Causa Eficiente Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. Não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si prórpio: o que é impossível. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita. Logo é necessário afirmar uma causa eficiente primeira, a que todos chamam Deus.

3a. via - Ser Necessário Existem seres que podem ser ou não ser, chamados de contingentes, isto é cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Todos os seres que existem no mundo são contingentes, isto é, aparecem, duram um tempo e depois desaparecem. Mas, nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.

Igualmente, tudo o que é necessário tem, ou não, a causa da sua necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra em outro a causa de sua necesidade, mas que é causa da necessidade para os outros: o que todos chamam Deus.

4a. via - Ser Perfeito Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.

5a. via - Inteligência Ordenadora Existe uma ordem admirável no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada. Com efeito aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus.

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Platão e Aristóteles (por Rafael Sanzio, 1509) concluíram pela necessidade da existência de uma inteligência ordenadora do universo

Há uma ordem em todos os seres, o menor vegetal, p. ex. tem órgãos para cada função ordenados para a preservação da espécie. Esta ordem pressupõe uma Inteligência ordenadora, pois a ordem não vem do caos e nem do acaso. Da mesma forma as letras de um livro não são colocadas ao acaso. Logo a ordem existente no mundo prova a existência de uma Inteligência que ordenou todas as coisas nos mínimos detalhes.

O mal no mundoEditar

Se Deus existisse, questiona Santo Tomás, não haveria nenhum mal, pois o que se entende com o nome de Deus, é que se trata de um bem infinito, mas o mal existe. Responde: ""Deve-se dizer com Santo Agostinho: "Deus soberanamente bom, não permitiria de modo algum a existência de qualquer mal em suas obras, se não fosse poderoso e bom a tal ponto de poder fazer o bem a partir do próprio mal". Assim, à infinita bondade de Deus pertence permitir males para deles tirar o bem.""

"O mal é ideia do homem, não de Deus. Ele, que deu ao homem o livre-arbítrio e pôs em marcha o Seu plano para a humanidade, não interfere continuamente para tirar ao homem o dom da liberdade. Se o inocente e o justo têm de sofrer a maldade dos maus, a sua recompensa no final será maior, os seus sofrimentos serão superados com sobra pela felicidade futura." Deus que é infinitamente justo e fará a seu tempo a Sua justiça. (Leo J. Trese, A fé explicada).

Imagem e semelhança de DeusEditar

Segundo Santo Tomás de Aquino deve-se dizer que o homem é a imagem de Deus, não segundo seu corpo, mas segundo aquilo pelo que o homem supera os outros animais. O homem é superior aos outros animais pela razão e pelo intelecto. Portanto, é segundo o intelecto e a razão, que são incorpóreos, que o homem é a imagem de Deus.

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Separação da terra das águas, Michelângelo, Capela Sistina, Vaticano

Prova pela existência do Mundo Editar

O mundo exige uma causa de si, que se chama Deus. Não há efeito sem causa. Todo o ser que começa a existir tem uma causa. O universo tem um grau de complexidade superior a qualquer obra humana conhecida. Logo não se pode admitir que tenha aparecido sem que um Ser lhe tenha dado a existência. Assim como um edifício pressupõe um engenheiro ou um quadro o pintor. Esse Ser chama-se Deus.

Prova pela Lei Moral Editar

Dá-se o nome de Lei Moral ao conjunto de preceitos que o homem descobre na sua consciência e que o fazem distinguir o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto e o impelem a praticar o bem e a evitar o mal.

A Lei Moral obriga em consciência: quando a cumprimos, sentimos a satisfação do dever cumprido, quando a transgredimos, sentimos remorsos. Temos necessidade de estar em paz com a nossa consciência.

A Lei Moral é superior ao homem, que não pode ignorá-la e nem mudá-la, por exemplo, ninguém poderá fazer com que o latrocínio ou estupro seja um bem. A lei moral exige um legislador que seja superior ao homem, esse legislador é Deus.

Argumento da impossibilidade científica da negação Editar

Não se pode cientificamente provar que Deus não existe. Para tanto seria necessário, dentre outras coisas, admitir absurdos como por exemplo: uma seqüência infinita de seres mortais, que gerariam um ao outro desde toda a eternidade e todo o sempre; admitir a geração espontânea e a vida como sendo um fruto espontâneo da matéria; que a ordem admirável do universo, tanto macro quanto micro, seria fruto do acaso.

A probabilidade do universo ter-se organizado por obra do acaso ou do caos é menor do que a de um chimpanzé, diante de um teclado, escrever um poema de Shakespeare, batendo as teclas numa seqüencia aleatória.

Seria necessário destruir a Lei Moral, a noção de consciência e a noção de bem e mal, bom e mau, e de justo e injusto. Toda e qualquer canalhice, estupidez ou violência hedionda não poderia ser reprovada e nem objeto de repugnância, aliás estes próprios conceitos não poderiam ter lugar na existência humana e deveriam ser admitidos como aceitáveis pela consciência.

Conhecimento de Deus por analogia Editar

A partir do conhecimento das criaturas pode-se atribuir a Deus todas as perfeições que nelas se encontram e as que se pode conceber, bem como n'Ele negar tudo o que as criaturas têm de limitado e imperfeito.

Assim, são atributos de Deus, segundo Santo Tomás:

  1. unidade e unicidade - não pode haver mais que um Deus.
  2. simplicidade - não é composto de partes, o que implica que não tem corpo e nem partes de nenhuma espécie.
  3. infinidade - é infinito, tem todas as perfeições em grau máximo e ilimitado. Se pudesse ser aperfeiçoado não seria Deus e sim aquele que Lhas desse.
  4. imutabilidade - não está sujeito a mudanças nem no seu Ser e nem nos seus desígnios.
  5. eternidade - não teve princípio e não terá fim, sempre existiu e não deixará de existir.
  6. onipresente - está a todo o tempo em todo lugar.
  7. onisciência - possui inteligência e entendimento ilimitados, tudo sabe e tudo conhece.
  8. onipotência - a vontade de Deus é onipotente, não tem limites, e é perfeitamente boa e justa. Sendo infinitamente justo retribui a cada um segundo as suas obras.
  9. bondade - Deus é a bondade infinita.
  10. sabedoria - é mais que sábio, é a própria Sabedoria ilimitada.
  11. santidade - é infinitamente santo e belo e fonte de toda a beleza e santidade.
  12. misericordioso - Deus é todo misericórdia, perdoa tantas vezes quantas nos arrependemos (Curso de Teolog. Dogmática, Arce e Sada).

Conhecimento divino e liberdade humana Editar

Que Deus saiba quais os atos o homem praticará não implica em dizer que Ele seja a causa destes atos, pelo contrário é a decisão do homem de praticar o ato que permite que Deus saiba que ele será praticado.

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A criação de Adão, Miguelângelo, Capela Sistina, Vaticano

Da mesma forma quando o serviço de meteorologia prevê a ocorrência de um tornado amanhã, esta previsão não o torna a causa do tornado. Ao contrário aquilo mesmo que fará com que haja a tempestade amanhã é que proporciona ao meteorologista a base da sua previsão.

Relações entre Ciência e Fé Editar

Se Deus criou todas as coisas não pode haver contradição entre o estudo da criação (ciência) e a fé na existência de Deus. Não pode haver contradição entre uma verdade científica e uma verdade religiosa. Desde que se entenda por:

  • verdade científica aquela verdade provada com absoluta certeza pela ciência; mas não a opinião ou hipótese científica, por autorizada que seja.
  • verdade religiosa aquela proposta pela Igreja como obrigatória à crença dos fiéis; mas não a opinião de um teólogo, por autorizado que seja.

SentençasEditar

  • Isaac Newton: A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isto fica sendo a minha última descoberta.
  • André Marie Ampère: A mais persuasiva demonstração da existência de Deus depreende-se da evidente harmonia daqueles meios que asseguram a ordem do universo e pelos quais os seres vivos encontram no seu organismo tudo aquilo de que precisam para a sua subsistência, a sua reprodução e o desenvolvimento das suas virtualidades físicas e espirituais.
  • Thomas Alva Edison: Tenho (...) enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmene pelo maior deles: Deus!
  • Albert Einstein: No universo, incompreensível como é, manifesta-se uma inteligência superior e ilimitada. A opinião corrente de que sou ateu baseia-se num grande equívoco. Quem a quisesse depreender das minhas teorias científicas, não teria compreendido o meu pensamento.
  • Wernher von Braun: Quanto mais compreendemos a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontramos razões novas para nos assombrarmos diante dos esplendores da Criação divina. (cit. in LOBO, G. Ideologia y fe cristiana, p. 163)
  • Voltaire: É preciso tapar os olhos e o entendimento para pretender que não há nenhum desígnio na natureza; e se há desígnio, há uma causa inteligente, Deus existe.
  • Francis Bacon: A pouca ciência afasta de Deus, a muita ciência sempre conduz a Ele.
  • Cauchy: Sou cristão; creio na divindade de Jesus Cristo, juntamente com Tycho Brae, Copérnico, Descartes, Newton, Fermat, Leibniz, Pascal, Grimaldi, Euler, Guldin, Boscowich, Gerdil, com todos os grandes astrônomos, todos os grandes físicos, todos os grandes geômetras do século passado. Sou também católico, como a maior parte deles. (in Curso de Teolog. Dogmática, Arce e Sada)

ReferênciasEditar

  • AQUINO, Tomás, Santo. Suma Contra Los Gentiles. Libros I e II. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1952.
  • AQUINO, Tomás, Santo. Suma teológica. Vol I, questão 2. São Paulo: Edições Loyola, 2001. ISBN 85-15-01852-7
  • CINTRA, Jorge Pimentel. Evolucionismo Mito e Realidade. São Paulo: Quadrante, 1988.
  • CINTRA, Jorge Pimentel. Deus e os cientistas. São Paulo: Quadrante, 1990.
  • ARCE, Pablo e SADA, Ricardo. Curso de Teologia Dogmática. Tradução de José Coutinho de Brito. Lisboa: Rei dos Livros, 1992.
  • KNOX, Ronald. Deus e eu. Tradução de José Eduardo Vieira Coelho. São Paulo: Quadrante.
  • TRESE, Leo J. A fé explicada. Tradução de Isabel Perez. São Paulo: Quadrante, 1995. ISBN 85-7465-012-9

VideEditar


45px-Smallwikipedialogo.png Este artigo utiliza material oriundo da Wikipédia. O artigo original está em Argumentos pela existência de Deus. A relação dos autores originais pode ser vista no histórico do artigo. Assim como acontece com a Cristianismo Wiki, o texto da Wikipédia encontra-se debaixo da Licença de Documentação Livre GNU.

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